>Artifícios do Racismo na "Guerra ao Tráfico"

>No dia 30 de novembro, mais um dos em que se encena o circo do “combate ao narcotráfico” nas favelas da cidade do Rio, me deparei com uma fala estarrecedora no jornal O Globo. Foi extremamente infeliz (leia-se “DESGRAÇADO”) o delegado Alexandre Neto, ao se referir aos traficantes cariocas como “quilombolas do tráfico”. Digamos que o delegado “se esqueceu” do sentido histórico do termo quilombola – grupos que inclusive têm sido alvo (!) de maior atenção por parte das políticas “compensatórias” governamentais em reconhecimento de seu direito territorial e a um passado de opressão que ainda é mantida através do discurso, para dizer o mínimo.


Quilombola é o nome que se dá aos fugi
tivos, predominantemente negros, que se abrigaram em fortificações à margem da sociedade estabelecida como meio de evira a escravidão e as opressões às quais estavam submetido oficial e legalmente pela sociedade brasileira. O termo se refere ainda aos remanescentes, aos descendentes dessa gente que tanto sofreu e, hoje, mantém sua vida e suas tradições no territórios dos antigos quilombos.

Em face disso, a que se presta a escrita do delegado Alexandre Neto, se não a deturpar a imagem do pobre e do negro, assim associado ao tráfico, de maneira indiscriminada, ou discriminadora? Este senhor sabe citar Gilberto Freire, tem instrução privilegiada, não se trata de um equívoco! É um ataque dissimulado e deliberado ao negro, ao pobre, ao favelado, ao quilombola.

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Eu ando por aí, entre as coisas, entre as pessoas, desconfiando... Como sempre vêm primeiro a nós as aparências, é preciso apurar a vista pra distinguir o falso, o engodo, a sofisticação (sofismas, na verdade). Não é o caso que eu desconfie "das pessoas", mas do que elas, às vezes eu mesmo, e o mundo em geral, tendem a apresentar e creditar como sendo "a realidade"... É assim que eu ando por aí, entre as coisas, através de mim, e entre as pessoas...
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